Viver sem que os milagres existam ou tomar a vida como milagre?

março 22, 2019 Por Ana Carvalho 0

Remissão espontânea. Sabe o que isso significa?

É o nome dado pela ciência ao que não se pode explicar, ao que não se pode provar por evidências científicas. Acontece isso todos os dias ao nosso redor.

Recentemente vi um filme (e recomendo muito) chamado Milagres do Paraíso. Já dando spoiler, é uma história real de uma menina de dez anos que teve uma experiência de fé que a curou, mas até agora fico me perguntando se não foi a atitude da mãe que a fez se voltar à fé e curou a filha.

Veja o filme e depois me conta. O fato que me marcou no filme foi justamente a situação em que faltamos com a fé em nós mesmos, na vida ou nas pessoas.

Ou o contrário: quem nunca teve uma crença tão forte que determinada situação seria positiva e realmente se materializou? Quando me refiro à fé não estou falando de religião, mas da origem da palavra, que vem do grego “pistia”, que indica a noção de acreditar, e no latim “fides”, que remete para uma atitude de fidelidade.

Logo, quem possui atitude de fidelidade e crença em algo ou alguém, essa pessoa tem fé. E, como humanos, oscilamos entre tempos de muita fé e outras em que questionamos essa crença em algo – para alguns é Deus, outros Universo, Buda, Jesus e tantas outras denominações.

Mas o fato é que fomos criados desde a nossa tenra idade para olhar para o mundo lá fora e nos esquecemos de que temos uma semente plantada em nosso interior, pronta para que seja regada, cultivada, adubada para então florescer. Essa semente é o que eu chamo de autoconhecimento.

E não é que nossas crenças se autorrealizam?

Posso dizer por experiência própria que sou uma buscadora e isso muito me honra. Aquela semente no meu interior foi sempre cultivada. Isso inclui coragem de olhar para dentro e reconhecer que, sim, somos fracos e homens de pouca fé.

Você já viu o grão de mostarda? Busco ter a fé desse tamanho e será suficiente. Mas, poxa, duvidamos. Primeiro da gente mesmo, e precisa mais?

Em neurociência, na filosofia, na PNL e em várias ramificações do autoconhecimento, as crenças adquiridas ou impostas pelo nosso caminhar tornam-se “verdades” que viram pensamentos, atitudes e se autorrealizam.

Isso quer dizer que, se eu me acho incapaz é porque eu sou mesmo, porque minhas atitudes atestam a crença que eu tomei por verdade por alguma razão.

E isso faz um estrago danado para qualquer um. Qual a crença que te impede de ser feliz? Que falta de fé tamanha é essa que você não se considera merecedor(a) de um relacionamento feliz, sair da depressão ou simplesmente acordar de bem com você mesmo?

Terapias integrativas cuidam da dor de alma

Eu tenho a mais autêntica crença nas terapias integrativas, porque somos seres humanos com dor de alma. Quantas doenças os cientistas intitulam como autoimune ou sem explicação?

Quantas vezes você já foi ao médico e não há nada constatado na anamnese, nos exames ou na ressonância magnética? Não inventaram ainda uma máquina para a alma.

Ops, espere aí. Temos uma diversidade de terapias integrativas que estão aí curando almas, tirando gente da ansiedade, colorindo a vida de quem antes tinha a lente cinza da depressão.

Mudamos quando começamos a sentir nojo de nós mesmos

Se você não acredita, tudo bem também. Nem Jesus foi unanimidade sobre a Terra, quem sou eu para convencer alguém.

A minha fala é para você que tem fé, só que está tão calejado por você mesmo que a fé está precisando de um inalador.

Primeiro, restabeleça a crença em você mesmo. Queira mudar. Tenha nojo de você mesmo. Isso mesmo. Só quando atingimos esse estágio sabemos que é chegada a hora do ponto de virada.

E esses 180 graus na sua vida tem o apoio desses cuidadores que também se curam cuidando de nós. São seres humanos e não super-heróis, combinado?

Eles também têm suas dores, mas fizeram do seu propósito um meio de levar bem-estar, equilíbrio, sanidade, paz, alívio às dores da alma. Conheço muitos deles e posso afirmar que são pequenos grandes milagres que cruzam meu caminho.

De profissionais de Reiki a Massoterapeutas, de Consteladores Familiares a terapeutas de Florais de Bach. De meditadores a acupunturistas. Recebo de cada um deles um pouco dessa energia que não se vê, mas simplesmente está.

Integralidade é a palavra-chave desse século

É por isso que eu tenho fé nos profissionais e nessa que eu denomino a terapias da alma, porque uma depressão vai muito além do fator neuroquímico, uma ansiedade traduz um distanciamento do presente e uma doença muitas vezes foi a maneira encontrada pelo corpo para gritar por socorro.

Seres integrais num mundo repleto de especialistas em partes

Há muitas evidências de que as terapias integrativas restabelecem a conexão corpo-mente-espírito, assim como existem outros movimentos que buscam enxergar o ser humano em sua integralidade.

O mundo já está repleto de especialistas, de gente que vê o fígado separado da emoção raiva, que analisa o coração desapartado do rancor, que faz raio-x da garganta e não sabe quantos sapos aquele ser humano teve que engolir durante sua vidinha. Chega disso.

Chega de vermos o mundo separado por partes. Nós somos integrantes da natureza, não somos só braço, perna, orelha, baço. E isso diz muito sobre nossa ligação cósmica com o todo.

A física quântica vem provando uma a uma a sabedoria milenar de que somos uma parte infinitesimal do universo.

Basta reparar na natureza e em nós: quando é verão, as plantas estão no auge da sua beleza, as cores vivas e nós estamos alegres, espontâneos, sorridentes.

No inverno, assim como as folhas ficam desnudas, nossa alma se recolhe como nossos corpos para dentro dos casacos.

Por que então insistimos em não reconhecer esses sinais e não fazemos o movimento de desnudar a alma? Autoconhecimento é para os fortes, para os que têm coragem de abrir a caixa de Pandora e olhar para as coisas boas e outras nem tanto.

Somos vítimas e algozes e diante do autoconhecimento não precisamos vestir nenhuma máscara social.

Autoconhecimento é o caminho

Somos nós sem make, concorda? Quem já provou esse gostinho sabe que o mergulho é profundo e a lama deixada no fundo do copo custa a sair. Mas, de tanto exercitar o autoconhecimento, uma hora a água será límpida.

A limpeza nunca acaba, mas passamos a curtir a jornada. A depressão pode estar à espreita, mas nos conhecendo sabemos quando aquela tristezinha vem vindo… e é o suficiente para procurarmos ajuda externa dos nosso consultores de alma.

Como diria Albert Einstein, “só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre”. A essa eu acrescentaria um adendo (olha eu me metendo na frase de Einstein hehe): basta que a gente tome decisões e faça escolhas. Quais serão as suas?